Laboratório da Sucessão
Gerações que geram boas ações
É sabido que as empresas familiares apresentam características intrínsecas à sua dimensão “família” que fazem com que estas reunam à priori condições mais vantajosas para se atingirem melhores desempenhos corporativos. É verdade que poucas organizações conseguem garantir tanta unidade, lealdade e dedicação ao negócio como as empresas familiares.
Apesar desta vantagem competitiva, é precisamente nesta tipologia de empresas onde surgem os conflitos interpessoais de mais difícil resolução. O desafio da Sucessão Empresarial é aquele que maior importância assume, pela sua implicação quer na esfera económica e social, quer nas esferas empresarial, familiar e pessoal.
A dimensão do desafio é tão expressiva que Bruxelas manifestou-se já preocupada com o dilema das PME de cariz familiar: todos os anos encerram na UE 690 mil empresas de cariz familiar, levando ao desemprego 2,8 milhões de pessoas. As estatísticas disponíveis comprovam isso mesmo: globalmente, 50% das empresas familiares não passam para a segunda geração e apenas 20% consegue atingir a terceira.
A sucessão empresarial é um processo complexo e exigente que deve ser tratado com rigor, transparência e, sobretudo, atempadamente. A continuidade empresarial deve ser encarada como um autêntico desígnio por parte de todos os membros familiares, exigindo total comprometimento. Fica evidente a necessidade de atuar sobre esta realidade: procurando minimizar o número de processos de sucessão falhados e, consequentemente, ao prolongar o ciclo de vida das empresas familiares, estaremos a preservar a riqueza e o emprego, contribuindo para o desenvolvimento sustentado da economia nacional.
A palavra determinante em empresa familiar não é Família, é Empresa.
A AEP integrou como prioridade da sua agenda a sucessão nas empresas familiares, tendo iniciado em 2010 um estudo aprofundado sobre esta temática, com o projecto Sucessão nas Empresas, e com resultados concretizados em 2012 na publicação “O Livro Branco da Sucessão Empresarial”, oportunamente divulgado no Congresso Europeu da Sucessão Empresarial. Deste trabalho resultou um diagnóstico muito concreto sobre a problemática em Portugal, bem como pistas para ações futuras. É esse o trabalho que pretendemos assumir, de continuidade e perfeitamente sustentado, com o projeto “Laboratório da Sucessão Empresarial”.
Facilmente se compreende esta aposta se tivermos em consideração que elas são a forma empresarial predominante nas atuais economias de mercado, e o seu sucesso e continuidade vitais para o desenvolvimento da economia e da sociedade. Ao facilitar o processo de transferência de valor entre gerações, percebe-se que se está a contribuir para a construção de um tecido empresarial mais dinâmico e robusto, inserido na economia do país de forma mais competitiva, coesa e socialmente justa.